Contato (filme, 1997)

7 02 2021
Uma cientista dedica a vida fazer contato com algum tipo de inteligência extraterrestre

Esse filme de 1997 permanece na lista de meus filmes preferidos. É uma história baseada no livro homônimo escrito por Carl Sagan, um dos maiores divulgadores científicos do século XX, reconhecido pelo seu trabalho e pela divulgação da ciência junto ao público em geral. O filme está disponível para locação e compra aqui, no Youtube. Vale muito a pena.

É uma estória de ficção científica, e praticamente tudo o que acontece no filme tem forte embasamento científico, até pelo fato do texto original ser de um cientista. Mas é uma narrativa que trata de muito mais do que ciência, trata de uma vida dedicada à ciência de uma maneira obcecada (paralelos entre a protagonista e o próprio Sagan são inevitáveis), traz questionamentos entre ciência e fé, outro tema que Sagan também tratou bastante durante a vida. Traz questões filosóficas que nos intrigam desde sempre, e que ainda seguirão intrigando por muito tempo. E traz ainda um tanto de poesia, principalmente ao tratar da relação da protagonista com o pai, falecido na infância dela. Acho que essa mistura, e essa questão do pensamento aberto, sem limitações, e o questionamento de tudo, é o que me atrai nesse filme.

Tudo gira em torno de Ellie, interpretada por Jodie Foster, uma astrônoma brilhante e obcecada pelo projeto de conseguir contato com formas de vida alienígenas. Desde a infância, incentivada pelo pai, ela se comunicava com pessoas em lugares distantes, com equipamento radioamador. Ela enfrenta muito ceticismo e até é vítima de piadas ao longo da carreira por conta do que seria o desperdício do seu potencial como cientista ao se dedicar a algo tão “improvável e sem importância”. As coisas começam a mudar quando ela finalmente consegue encontrar algo, e mudam mesmo quando ela percebe que aos poucos é deixada de lado por oportunistas, inclusive por pessoas que nunca acreditaram em seu trabalho e até mesmo agiam para boicotá-lo. Um momento marcante é justamente quando uma das pessoas que boicotaram e desacreditaram o trabalho dela anteriormente, chega a ela e diz: “Eu gostaria que o mundo fosse um lugar justo e pessoas idealistas como você fossem recompensadas, mas infelizmente o mundo não é assim”. Ao que ela responde: “Achei que éramos nós que fazíamos o mundo”.

Extremamente cética, pragmática, prática e sempre buscando evidências científicas para tudo, no desenrolar da estória Ellie é confrontada até o limite da sua crença na ciência e na metodologia científica (outro tema caro a Sagan). Quando as notícias sobre o contato com os extraterrestres se espalham, é mostrado no filme quais seriam as consequências, pessoas se matando, pessoas querendo ser levadas para outro planeta, fanáticos religiosos agredindo os cientistas, coisas de todo o tipo. Olhando para o mundo como estamos hoje, não discordo nem um pouco dessa hipótese do filme.

O que realmente aconteceria na Terra se houvesse um contato extraterrestre algum dia? Deixando de lado os devaneios hollywoodianos de guerras contra invasões alienígenas e afins. É um questionamento interessante, se fizermos um paralelo com o que conhecemos ao longo da História: sempre quando houve algum contato entre civilizações com um abismo entre elas, o que ocorreu? Como nossas inúmeras religiões tentariam explicar essa nova descoberta? Como continuar valorizando os cientistas humanos se eventualmente conhecermos uma civilização muito mais avançada? Uma descoberta dessas inevitavelmente abalaria tudo em que acreditamos até hoje enquanto civilização, e certamente daria início a uma nova era, em todos os sentidos. Para o bem ou para o mal? Só saberemos quando for História…

O filme é bonito, gosto muito das mensagens que ele passa. Não é uma ficção científica com grandes efeitos especiais, mas eles aparecem quando necessário, e perfeitamente de acordo com a realidade, cientificamente falando. Certamente vai ficar na lista de filmes preferidos durante um bom tempo…


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